Trecho do livro Encounters with Death (Encontros com a morte), de Ursula Franke em entrevista para Thomas Bryson, em livre tradução minha de 4 anos atrás, que reflete o título desse post.
“A morte é um tema essencial, no centro das constelações
sistêmicas. Para cada um de nós, a realidade é que qualquer dia ou mesmo a
qualquer momento, é sujeito a ser o nosso último nessa vida. Quando paramos
para pensar, são os sintomas ou o sofrimento que nos levam a refletir sobre nós
mesmos em um contexto mais amplo e, então, todas as questões importantes vêm à
tona: “Como foi que cheguei nesse ponto onde estou agora?”, “Eu tive uma boa
vida?”, “Cumpri minha missão?”, “O que eu ainda tenho que fazer antes de morrer
para poder ir em paz e alegre?”.
Ao mesmo tempo, parece que vidas que não foram vividas
satisfatoriamente e contextos onde ocorreram mortes traumáticas ou pouco
pacíficas, deixam fortes impressões no corpo que passam através das gerações. É
como se o organismo humano mantivesse a informação de perigo, luta e
possibilidade de sobrevivência com uma memória biográfica e transgeracional
importante, para acessar em situações similares no futuro, de forma que possa
reagir imediatamente caso seja exposto a um evento semelhante novamente. [...]
[...] A melhor maneira de aprender é pesquisar em si mesmo,
nas suas próprias questões, no seu jeito de ser e nos padrões de reação física,
como eles se conectam com sua família e ancestralidade e em seus encontros com
a morte. A história inteira da familia e do país está representada ali: as
experiências de guerra do pai, a morte precoce de irmãos da mãe, ter
testemunhado matanças de guerra em tempo de revolução e, ainda mais longe, as
bruxas que formam queimadas no vilarejo vizinho, o medo da morte dos
fazendeiros durante a Guerra dos 30 Anos, etc. Tudo isso ainda está
representado em meu próprio corpo. E ter estado ali faz de mim alguém sem medo,
mesmo diante dos desejos de morte de um cliente ou da sua ou minha própria
possível morte por doença ou idade.[...]