"O mutável é o que permanece. Apenas o que se transforma continua vivo."
Agosto chega como um convite à mutação — palavra que no I Ching corresponde ao
hexagrama 51, O Trovão: o movimento que irrompe e sacode, despertando o que
estava adormecido. Não se trata de mudar por mudar, mas de confiar no movimento
da vida que nos pede, a cada ciclo, uma nova forma de habitar o que somos. Na
clínica sistêmica, aprender a fluir com as mudanças é reconhecer que todo
sistema vivo se reorganiza. O que ontem era imobilidade protetora hoje pode ser
o impulso que pede passagem.
"Aprender a descansar na imobilidade"
Antes do movimento, o repouso. Antes da transformação, a escuta profunda do que em nós
precisa de quietude para se reorganizar. No I Ching, a imobilidade não é
paralisia — é o recolhimento que precede toda ação verdadeira. Como a semente
que descansa no solo do inverno antes de romper na primavera.
A paz - Fenômeno: futebol, de Hermann Furthmeier em Ayuda para la vida diaria, enero 2011 - tradução livre.
A Alemanha está jogando contra a Inglaterra nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2010. Estou sentado em frente à TV, o placar está 2 a 1 a favor da “nossa” seleção. A tensão está crescendo, as mãos suam, o batimento do coração é audível, o pulso se acelera e a respiração está contida. É quando me chega o pensamento: o que está acontecendo aqui? O que está acontecendo comigo? Se estou sentando em frente a uma televisão e, na longínqua África do Sul, 22 homens correm atrás de uma boa e um juiz e dois bandeirinhas controlam o evento? Trata-se de tudo o que tenho, minha estirpe, meu grupo, ao qual pertenço, meu país, Alemanha. Trata-se da sobrevivência do meu clã. As reações físicas indicam luta. O outro grupo, o outro país tem que ser combatido, tem que ser vencido. Só um “sobrevive”, só um pode seguir. De onde vêm as reações corporais? Surge no corpo a memória das confrontações entre tribos de épocas remotas, onde logicamente, sempre se tratava de vida ou morte. O enfoque de Ber...


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